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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Dorme...




Dorme–dorme,
Frô do cerrado.
Dorme, dorme...
Florzinha da infância...
Dorme–Dorme,
Se o vento por aqui não passa
Dorme, dorme
Faço-te um carinho.
Dorme, dorme,
Enquanto o vento não te acaricia.
Dorme–dorme,
Frô do cerrado.
Dorme, dorme...
Sob a poeira
Da rua, do tempo.
Dorme–dorme,
Leve consigo as memórias da menina.
Dorme–Dorme...
Sonhe e Sonhe.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Sensações

Aqui está tudo bagunçado... como meu espírito...

Vou sentir falta de mentir para a minha avó para brincar na rua... de voltar com o joelho ralado mas com o coração feliz... das lembranças que tenho do Dino e de como ele me salvou quando eu prendi o joelho no portão de madeira da casa da vovó... De quando ríamos escondidos da vovó quando quebrávamos um pato da estante dela... de sentir medo das estórias fantásticas do amazonas do vovô... e de como ele falava “ô jequeri”...

Vou sentir falta das vezes que sonhei com um quarto só meu, onde eu poderia espalhar meus ursos de pelúcia e minhas bonecas, que ficavam guardadas sem eu poder brincar... Vou sentir falta da risada de quando eu peguei a minha bola roxa escondida e brincando estourei na rua...

Vou sentir falta dos caldos que papai fazia no “Tô à Toa”, eram sempre “de arrebentar a boca do balão”... e do cheiro das orquídeas que floriam e que ele trazia para dentro de casa...
Vou sentir falta do cheirinho da lasanha que mamãe fazia... e da simpatia que eu e a Lola fizemos para as visitas irem embora, para assistirmos Dança com Lobos, comendo lasanha e de sobremesa brigadeiro... Será que jogar sal para fora de casa espanta visita?

Vou sentir falta de dar voltas no campo dos freis de bicicleta, e daquela vez que todo mundo foi me ver e eu fui dar um tchauzinho e caí me ralando inteira... eu tinha acabado de aprender a andar... E se a princesinha do Paraguai é a Capital das Bicicletas, nunca pertenci de fato a região, porque sempre fui barbeira...

Vou sentir falta da Tia Maria do cachorro quente... E da praça cheia de crianças... de quando eu me sentava no chão para conversar com os hippies nos festivais... das largadas nos domingos... das vezes que sentei à beira do rio, para escrever, pensar, chorar, namorar, fumar um cigarro escondido... Vou sentir falta da Praça Duque de Caxias, e de quando lá os flamboyants florescem... E do bêbado que sentava no mesmo banco que eu...

Vou sentir falta de quanto era bom cantar Vamos Fazer um Filme nos corredores da escola, e quando fazíamos competições de cantar Faroeste Caboclo sem errar... E o Saulinho sempre cantava direitinho... De quando fugíamos da sala para ouvir Jon Bom Jovi cantando Jane don’t take you love to town... e quando a Naty chorava por causa do Lu no banheiro... das vezes que eu tive vontade de arrancar os cabelos da Aline quando ficávamos de mal... e das vezes que fazíamos as pazes e escrevíamos bilhetinhos toda semana... De como era engraçado rir das piadas da Gra... De como era bom ser rebelde com a Flavinha... de pedir um pedaço de maçã para a Nathália... de dividir o cachorro quente nas sextas-feiras com quem pudesse... de como era legal ler Romeu e Julieta com o Rodrigo... Vou sentir falta do formigamento na barriga quando eu passava por certa sala... e quando via o Gui no corredor... dos jogos da escola e de quanto aposentei meus tênis e virei torcedora, porque era uma negação em esporte..

Vou sentir falta dos almoços nos domingos na casa do Tio Marcos e da Tia Rita... de quando o Rafinha ficava lá em casa... da vez que tive de colocar Mogli e dançar como os elefantes para fazer ele comer a pêra... de quando íamos tomar banho de piscina e ele pedia um “exagelado”... dos domingos na casa da Tia Dê... de quando o Kauê estava aprendendo a tocar violão, e o Tio Marcos pedia “Do seu lado” e errava toda a letra... de quando decidimos aprender a dançar forró... e das festas juninas na nossa casa... da vez que casei com o Saulinho, com um vestido de noiva lindo... e de como o Rô deitou no meu colo...

Vou sentir falta das festinhas em casa... das milhares e milhares de garrafas de cerveja... e de como às 3h da madrugada nos sentíamos, Chico, Vinicius, Elis, e até nos apresentávamos como Os Tribalistas... E o que falar da nossa fase Pink Floyd? Das vezes que o Saulinho ligava na minha casa e dizia que era Marcelo e que “tinha me visto na praça e tinha me achado gatinha, e que estava mó a fim de ficar comigo... Da vez que ri na cara do meu futuro namorado quando ele disse “que estava mó a fim de ficar comigo”. De quando apagávamos as luzes da área e sentávamos no fundo do quintal para olhar as estrelas... e contávamos estrelas cadentes... ouvindo Summertime com a Janis... De como choramos ao sentir que a escola estava no fim... e que todos iríamos para um lado... até descobrirmos que existiam as férias e a saudade era forte... e ainda pudemos reinventar a amizade por 6 anos e diversas vezes... quando brigávamos e pedíamos desculpa em seguida...

Essas sensações de 23 anos, têm estado aqui... É como se todas lembranças armazenadas, após serem lembradas... e sentidas... Deveriam ser guardadas num baú... Vou levá-las na mudança...

O que intriga é que tenho certeza do que passou... e do agora... apesar do medo do amanhã... esse nunca me fez tão bem como agora... Ir embora é aceitar que isso tudo realmente passou... e que papai não está mais aqui... E que a identidade dessa menina que fui aqui... fica aqui...

Estou suspendendo por um tempo os posts aqui. Minha vida está como a sala bagunçada de livros daqui de casa... meu quarto nem existe mais... daqui uns dias vou ter de enfrentar algumas burocracias, em meio a estudos... o concurso em janeiro... o conflito de passar pelo exame da ordem ou não? E em 27 dias tudo poderá acontecer... e ainda o sentimento de que desde que ele se foi já faz quase um ano... Voltarei apenas para desejar-lhes um bom final de ano...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Segredo

Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você...




Quero chegar em casa pela manhã. Dar bom dia as flores cheias de orvalho. Sentir o cheiro do café forte. Ver a porta aberta. E sentir finalmente que estou em casa. Não se preocupe é só um sonho... despertarei em qualquer instante... mas por enquanto deixa eu te chamar de lar?




Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você...

quinta-feira, 30 de julho de 2009

A magia de ser filha...

A correria da vida tem me impedido de ter qualquer tipo de inspiração, que não seja para terminar uma peça inicial, ou atualizar-me sobre este vasto mundo jurídico... Novidades: 1- o fato de eu estar empenhada em relembrar algumas coisas do incício de faculdade, para aumentar meus conhecimentos, me preparando para algumas aventuras que vêm pela frente, tendo por principal objetivo: ir embora! 2- Decidi enfrentar o bicho papão da minha vida... além de ser a "doutorinha simpática", decidi portar a carteirinha, estudando para isso! 3 - O Chico está de escapamento novo!! Depois de fazer a graça de quebrar em plena quinta-feira a noite quando eu estava na rua com as amigas curtindo um tempo bom!

Bem, quanto ao título do post, refere-se a essa época, meio capitalista, mas que meu pai fazia questão de ser lembrado, mesmo fingindo não querer ganhar presente. Não contei o quanto era ciumento, apesar de parecer alguém totalmente liberal, nos discursos da "Mesa 14", quem conhece sabe o que estou falando. Eu era doida para ir aos barzinhos com papai, ouvir as discussões sobre a universidade, sem mesmo estar lá. Mas ele nunca deixava eu ir, e se eu chegasse de surpresa, ele me olhava com aquela cara "de quem comeu e não gostou meesmo", me perguntando "o que você está fazendo aqui", "o que você quer"... hilário lembrar! Eu, as vezes ficava, contra a vontade dele. E, as vezes, passo olhando para aquele canto, no Beto... ah que saudade.

Outro fato que demonstraria o seu jeito torto de ser, descobri uma vez quando dei de presente a minha mãe 3 pares de sandálias, por ter um pézinho, que inspirou "A pata da Gazela", a dificuldade em encontrar sapatos não infantis no número 31 ou 32. Fez ele fechar a cara durante a semana inteira! Mas logo chegou o "dia dos pais" e eu comprei o perfume de lançamento que vi nos outdoors pela rua.

Vocês já podem imaginar, não posso ver um comercial de celular que choro... por isso, digo-lhes, vou ficar um pouco ausente, até que a saudade se acalme aqui, pois não conseguiria falar de nada a não ser dele. Aos que ainda tem o papai do lado, dê-lhes um abraço por mim. Aos que não, sintam-se abraçados por mim, eu sei das suas saudades.

E... quero lhes falar sobre um novo espaço o "O menino, o Vento e a Pipa", título de uns dos textos escritos pelo meu pai. Onde serão postados, textos, crônicas e poesias escritas pelo famoso ESUARK., condinome usado pelo meu pai, nos tempos de faculdade.

Aos amigos que o conheceram, fica meu convite para os comentários e lembranças que tiverem! Aos que não conheceram, fica o convite para viajar nas entrelinhas do meu pai-poeta!


Enorme abraço, da então Morena Flor, Nayara Krause.

sábado, 18 de julho de 2009

FELIZ ANO NOVO!!

Pelo calendário "Nayarês" hoje é dia de ANO NOVO!!! Na luta da vida é assim... algum guerreiro fica para trás... mas não suas idéias, levaremos suas saudades... mas é preciso encarar o novo... e aqui começa a contagem regressiva para o dia 15 de dezembro de 2009! Esse vídeo não passou no fantástico, mas me tira gargalhadas toda vez que assisto... um pouco de mim e dos que eu amo para vocês!!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Viajamos sete léguas...


Por deus nunca me vi tão em paz... O que me fez acreditar por mais um tempo que "nossa história não estará, pelo avesso assim... sem final feliz... teremos coisas bonitas pra contar... e até lá... vamos viver, temos muito ainda por fazer... não olhe para trás... apenas começamos..." Os dias se passando... meu ano novo chegando!! Sem a minha taça... mas com novas perspectivas, que há muito não se via neste coração teimoso e nostálgico... Mas acredito que poderei contar com um 'cubano' companheiro, presente que ganhei na viagem...
Hoje tive notícias do meu velho querido, e prometo derramarei menos lágrimas a partir de hoje, mas "ah que saudade"... espero nos encontrarmos em breve, no final desta vida... mas não prometo deixar de lembrar todos os dias que o amo muito...

Voltei e estou preparando uma revolução das Macabéas... quem não está comigo... está contra nós!

domingo, 28 de junho de 2009

Origens...


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Não quero o Pulitzer, nem o Nobel da literatura, quero atenção !


Dias desses tive de empreender viagem até Barra do Bugres, a 150 km de Cáceres, tão perto e tão longe ao mesmo tempo, para ganhar o suado e justo pão meu de cada dia.



Desembolsei, comprovadamente, R$ 31,95 (ironia, R$ 0,52 de seguro), pela passagem, inicialmente até barata, que se tornou caríssima a partir do momento em que entrei no ônibus de nº 2630 (tenho obsessão por anotar número de ônibus), e deu-se início à aventura que causaria inveja ao famoso personagem protagonizado por Harrison Ford.

O calor era infernal. Nem Dante Alighieri agüentaria o inferno que estava naquele caldeirão ambulante, barulhento e atrasado. Tentei acomodar-me naquilo que fora num passado muito, mas muito remotíssimo uma poltrona, que por sinal estava imunda, grudenta, de cor indefinida, desbotada pelo tempo, e comecei a meditar para não sentir o calor, não ouvir o burburinho das pessoas, falando quase todas ao mesmo tempo (como somos barulhentos). Umas reclamavam que a empresa havia vendido duas passagens para uma mesma poltrona (a mesma história de sempre), incrível como isso ainda acontece nos dias atuais, mesmo com toda a tecnologia, pensei. Basta clicar um botão, eis que surge na tela do computador um croqui de um ônibus, por onde dá para saber qual poltrona está vaga ou não, (observei isso, quando estava comprando minha passagem). Outras pessoas reclamavam, reclamavam e exigiam a presença do motorista, do cobrador, salvadores da pátria naquela ocasião, para resolveram a confusão.

Eu tentando ficar alheia, comecei a divagar. Refletir sobre os últimos acontecimentos, sobre a vida. E respirando lentamente, cerrei os olhos para facilitar a concentração. Não dá, pensei, Desconcentrei-me, não tinha como ficar alheia ao que acontecia a minha volta. Calor, sacolejo do ônibus por causa dos buracos na estrada. Ora poeira, ora lama. Incrível. Riquíssimos e diversificados contos, fatos, causos, ouvi. Prestei atenção (para passar o tempo, já que não dava para ler) às falas das pessoas (cacófatos, solecismos, vícios de linguagem, enfim.) Apropriei-me delas e as transcrevo ipsis litteris:


“um homi pegou a trainha dele e pediu pra descer aqui, não sabia aonde era o sítio de seu Miguel, não sei si si perdeu no mato. Si a onça não cumeu ele, ele chegou no destino dele.”
“Nois atolô aqui noutro dia”
“Tá tudo errado as coisas.”
“Dezesseis pé que prantei, nasceu tudinho, eu tandu em casa, águo todo dia, dá cepo de banana.”
“Vô descer no Sítio Córgo alegre.”
“Pára preu descer no sítio 7 resfriadu, motorista.”
“Tenho bagagi moço pra descer.”
“Os cara chamô nóis de viado.”
“Nois tem qui iscutar tudo quietu.”
“Tem alguém aqui será?”

Quando abri os olhos, arre égua, assustei-me com o número de pessoas que estavam em pé no corredor do ônibus. Primeira parada, mais pessoas entraram, e assim aconteceu durante todo o percurso. Subiam e desciam pessoas. Lembrei-me de que alguém me disse que motorista de ônibus pinga-pinga, não pode ver mato balançando com o vento, na beira da estrada, que pensa que é gente, e pára. Comecei a rir sozinha. Mais ainda, porque me lembrei que quando estava na Rodoviária, alguém bem maior do que eu, bota maior, perguntou ao rapaz do guichê, por cima da minha cabeça: “esse ônibus pra Barra vai tocar direto ou é pinga-pinga?”

Voltemos para dentro do ônibus. Havia além dos quarenta e poucos passageiros sentados, conforme o permitido, mais de vinte pessoas no corredor (entre elas idosas e crianças).


O calor aumentou, lógico, e o blá-blá também. Estou longe de ser Sidarta Gautama, para meditar neste lugar, pensei. Passei então, de olhos abertos a observar tudo e todos. Comecei a ler, interessada, os cartazes, adesivos afixados no interior do ônibus. Excelente, pensei, para se trabalhar em uma aula de português: “ Senhores motoristas – não corra, não mate, não morra.”; “ O valor das despesa (passagem, hotel e restaurante), serão parcelados em até 15 vezes.) “Maiores informação falar com...”; “3ª Romaria de Férias”, “Excursão de Férias.”

Pensei com os meus botões, e queria entender como há pessoas que se permitem viver situações como aquela. De quem é a culpa? Das pessoas, que não estão nem aí para nada, e se deixam carregar como se fossem gados? Ou culpa da Empresa? Ou dos órgãos que têm o dever de fiscalizar e não o fazem? Pois, até gado é melhor tratado. Na Índia, a vaca é animal sagrado, vai entender este mundão.


Da calmaria passei à indignação. Calor medonho, mistura horrenda de perfumes, lavandas, odores fétidos, nauseabundos. Não sou escatológica, mas em um ônibus lotadíssimo, onde pessoas estavam quase saindo pelas janelas, dá para imaginar os odores mais diversos, exóticos.

De sacolejo em sacolejo, freadas bruscas, seguíamos em frente, lentamente. Eu já estava moidinha, quebradinha que nem um grãozinho de arroz de terceira.


De repente, paramos na estrada, e alguém disse que teríamos de descer para fazermos baldeação.

Além do calor, protestos indignados, havia agora a escuridão da noite.


Descemos e no escuro, apenas os vaga-lumes e alguns clarões dos celulares iluminavam a estrada. Atravessamos o que chamavam de ponte, para do outro lado esperar sabe-se lá quanto tempo, o outro ônibus, a fim de que pudéssemos continuar o que teimosamente eu chamava de viagem.


Muitas gargalhadas, protestos ouvia-se na escuridão, à beira da estrada. E nós lá, à mercê da nossa própria sorte, esperando. Pensei em onça, cobra, sapo, lobisomem, disco voador, até queria ser abduzida.

Os topa-tudo, os nem estão aí para nada, os conformados, os passivos, os estamos aqui para qualquer coisa, os jovens universitários que iam para os Campi de Barra e de Tangará, começaram a cantar, contar piadas, rir da situação em que estávamos, e eu quietinha, pensando, olhando o céu, deslumbrada diante daquele imenso tapete negro, salpicado de estrelas que mais pareciam diamantes. Ao longe, escutavam-se trovões, relâmpagos riscavam o céu. Só falta chover, pensei.


Enfim, após longa espera chegou o outro ônibus, de ré, e retomamos o que cismo em dizer que é viagem.

Mais paradas, mais passageiros. Parecia que o ônibus iria explodir de tanta gente, parecia lata de sardinhas, panela de pressão, todos espremidos, esfregando-se uns nos outros. Calor, odor fétido, cansaço, sacolejo, peças rangendo. Pessoas em pé escorando-se nas que estavam sentadas e incomodadas.


Mais uma parada. Sobem algumas senhoras; uma delas com uma garotinha de olhar cansado, medroso, ressabiado, com enorme ovo de Páscoa em uma das mãozinhas. Agarrava com tanta força o ovo, como se fosse o bem mais precioso, talvez realmente significasse muito para ela.

Eis que chega o todo poderoso cobrador, e indaga à mãe a idade da criança. Ele não acreditou quando ouviu que a menina tinha quatro anos. Exigiu a Certidão de Nascimento, pois paga-se passagem a partir dos cinco anos. Diante da resposta da mãe, que não portava tal documento, constrangeu-a, humilhou-a, ameaçou-a dizendo que era ordem do juiz (que peso tem esta palavra para as pessoas que sentem medo de autoridades), embora o juiz não tivesse nome. Advertiu-a que seria a última vez, e que na próxima não embarcaria.

Diante da cena, mais indignada fiquei, e pensei, com que moral a Empresa por meio daquele cobrador exigia o famigerado documento da mãe, quando não poderia prestar um serviço decente, digno. Não poderia cobrar documento, valor da passagem da mãe, quando não ofereceria lugar para sentarem-se. É ilógico, incoerente.


A criança assustada, agarrava-se cada vez mais na perna da mãe, que envergonhada, após o entrevero, tentava equilibrar-se entre um sacolejo e outro. Dava tapinhas amistosos, carinhosos nas costinhas da filha, como se estivesse dizendo que tudo estava bem. Mãe é mãe.

Fechei os olhos marejados de lágrimas. Senti-me menor do que já sou, impotente diante da cena. Que país é este?


Recordei-me, oportunamente dos integrantes do Estradeiro, quando há mais ou menos três anos, se aventuraram em seus ostentosos e confortáveis carros, brincando de conhecer a realidade do nosso Estado, eu os desafiaria a viajar num ônibus que saiu da Rodoviária (?), não sei se se pode chamar aquele depósito fétido no centro de Cáceres de Rodoviária, às 16h30, e que chegou ao seu destino, Barra do Bugres, às 23h30. A propósito, qual é o destino da taxa de embarque paga por cada passageiro, cujo valor é de R$ 1,75?

Desafiaria as autoridades políticas federais, estaduais, municipais, populistas, que dizem ser amigas do povo, proprietário(s) da empresa, a viverem essas cenas sem indignarem-se, em uma estrada que já foi asfaltada oficialmente.


Em nome daquela menininha de olhar cansado, assustado, e que me fez chorar, resolvi escrever e compartilhar minha experiência, pois há pessoas que sabem se defender, outras não, estão entregues à sorte miserável, se der azar na sorte, se dão bem. Deus proverá tudo, dizem os resignados. Só pelo poder divino, pois está cada vez mais difícil confiar em quem tem o poder (que aliás é passageiro, dura 2, 4 ou 8 anos, mas passa) nas mãos para mudar algo em nossa realidade e nada faz.


Orion, o labrador lá de casa, é mais confiável, mesmo quando ameaça com seus quase 60 quilos, pular para cima de mim. E mesmo assim, não sinto medo.
Não quero ser Diogo Manardi, mas tudo ao meu redor conspira para isso, serei ovacionada por uns e execrada por outros. O que fazer?! Segundo o filósofo Bambam, faz paaaaarte. Decidi enterrar meu título de eleitor. O ano que vem está próximo.

Margareth Krause
Cidadã brasileira!

* Essa estrada Cáceres-Barra do Bugres fora asfaltada 3 vezes, no papel. Era a estrada que meu pai pegava para trabalhar, antes dele ficar mais doente. E é ainda a estrada que a minha mãe segue quase toda segunda-feira com olhos cheios de lágrimas. Não, a minha mãe não é fresca. É que tudo faz parte de uma luta antiga e uma política podre que se instalou. Desde que meu pai ficou doente, minha mãe não foi mais para lá, mas não conseguiu a transferência que lhe era de direito, por uma simples perseguição política. E se não fosse trágico, seria hilário, meu pai morreu. Eu, não faço parte dessa hipócrita instituição, apesar de ser "filha", e posso dizer que se tratava de perseguição política, e tudo por um mal entendido misturado com aquela ganância política, que vemos todos os dias na televisão. Mas o que me consola é que um dia impérios construídos em bases fracas, caem. Mas eu não estou mais preocupada com impérios alheios. Estamos na luta para conquistar sim outros lugares. Como eu disse em post anterior, mesmo de cabeça baixa, um dia vamos cobrar com juros. E finalmente a estrada está sendo asfaltada...


* *Outro dia estava conversando na aula de inglês se criatividade viria da família. Apesar de conhecer casos que não, devo o gosto musical, literário, o pensamento de aspecto revolucionário, aos meus pais. É claro, ainda não estou lá, mas chego. Sempre gostei de poesias, mas ultimamente me interesso pela prosa, então estou a aventurar para aprender e colocar no papel algumas idéias. E com a semana corrida que estou tendo, ainda não consegui escrever sobre o que eu queria. E claro com aquela tristeza e raiva contida contribuiu para a falta de inspiração. (Eu estou mais calma! :D) Espero que tenham gostado do texto acima, é de Mamita!
E no mais, eu estou melhorando no Español, e no Eglish! Y trabajando mucho! O Jusé está meio estresado com os trabalhos de escola, principalmente uma animação que ele vem fazendo sobre Antonio Conselheiro, que vou postar aqui para vocês assistirem!! Essa semana vamos nos dar folga assim que julho chegar. Só fica a saudade de Papai...



*** Eu prometo que trago as poesias de Papis...

sábado, 6 de junho de 2009

Ideologia do nada...


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Nada. É o que se passa na minha cabeça. Nada. O fato de ter quebrado uma taça pode ser simples aos olhos de quem passa e não passa. V de vingança, pode explicar o que significa para um povo por meio de um símbolo a mudança de um governo, a perda do medo. Ela significava a crença de novos tempos. De tanto acreditar que a partir dali, tudo seria diferente, outras pessoas acreditaram. Inclusive uma amiga muito querida, que ao saber que eu comemoraria meu ano novo, percebeu que eu precisava de uma taça para brindar a vida, o amor... e outras coisas tão belas que só o dia-a-dia traria...
Ela não tinha nem um ano de uso. Estávamos apreciando um Saint German, nada muito caro, mas era delicioso, quando por um momento de descuido a garrafa bateu em seu corpo frágil. Eu mesma não acreditei que poderia tê-la quebrado. Eu chorei. E chorei. Pode ter sido um choro bobo aos olhos de quem não sentia como eu senti...
O carneiro teria então comido a rosa?
E o que se passa nessa minha vida insosa, estou presa á um carcere privado, sem grades e correntes, o que me alegra é a rotina de ouvir histórias de pessoas carentes de atenção, e a poção mágica de um amor utópico.
Talvez eu devesse guardar os cacos que sobraram... juntamente com as cinzas que guardo numa lata... e as folhas secas de uma flor que secou por dentro. Havia um novo broto?
Não encontro agora...
Tentam me distrair com os pesares alheios, mas soam tão patéticos, que como eu, são sem atitudes, mas o pior é que ainda me sinto mal, como se a culpa fosse toda minha. Sou certa?
E para quem, meu Deus?
Ao nada dedico o meu tempo, os meus sentimentos, pois sei o que esperar dele: Nada.
Talvez eu faça um relicário daquele amor sim! Porque é necessário ter utopias, é preciso sonhar... eu preciso de uma nova taça? Ou lembrar que ela existiu?
Dei vida a ela, e talvez outra pessoa não o fizesse. Eu darei amor, a quem quero dar... e será único... mesmo que reste somente os cacos depois... as fotos estão aí para dizer, que em algum tempo, fui amada, e vivi de forma sincera.
E no mais... saudades do meu pai, saudades dos amigos, do meu amor... "de tudo que ainda não vi"...

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Carta ao Poeta


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"Ioiô,

Seria mentira se eu dissesse que tudo anda como antes... impossível ser sem a sua presença aqui. Sei que não devo chorar, que devo levar a vida, mesmo as vezes sem coragem, e a maior parte do medo que sinto vem de mim mesma, seria injusto culpar "a sua hora" como motivo das minhas lágrimas escondidas no dia-dia...

Crescer, não é fácil! Contudo, esta carta não é de tristeza! Só de saudade! Maybe, para colocar para fora tudo o que estou sentindo, sem prender a ti dentro de mim... seria injusto demais... egoísta demais!

Outro dia, estava conversando com um amigo, é difícil entender que alguns males vem para o bem... vale para perceber o quanto a união entre nós foi importante e continuará sendo... pois para mim nunca será "éramos quatro...", ainda somos... Mesmo você tão distante e tão perto...

Eu sei que está bem e está vivo... eu entendi o recado no meu sonho... mas é que depois eu levei a vida numa embriaguez... quem sabe uma forma de fugir da falta que você faria... Hoje vejo como o silêncio se fez presente todo esse tempo...

As vezes eu escuto você brigar comigo, me chamar a atenção... as vezes escuto você me acompanhando em "Chega de Saudade"... e me sinto sozinha quando o Eric e a Mamãe começam a viajar na maionese e não tem ninguém para me apoiar nas nossas idéias...

E estou sentindo bem, assim triste, assim saudosa, mas bem... porque quero que fiques bem... nunca deixará de ser o meu amor... razão de minha saudade maior...
Entendi o que me cabe neste momento da minha vida... chorei sim caprichosamente por vários momentos... na minha insignificância sim... e só por mim... lamentando de não TER aquilo que quero, sem me preocupar com aquilo SOU... e com aquilo que TENHO de mais precioso... Um Porto Seguro!

Para quê a pressa? Não é meu Pai.

Desculpe, se fui as vezes um pouco mesquinha em nunca ter entendido... a família é a base de tudo. Recordo-me de tudo que passamos desde julho de 2007... no quanto mudei... no quanto amadureci... só não tinha entendido e nem queria aceitar o meu dever... e a minha prova de paciência. Todos os acontecimentos foram para nós todos entendermos o quanto precisávamos estar unidos, acima de tudo.

Foi preciso, eu gritar, magoar e ouvir coisas tristes para entender, antes tarde do que nunca... E eu te peço não fiques preocupado com a Mamãe... derrubamos uma barreira que nunca deveria ter existido...
E não! Eu não vou me conformar! Eu vou sim lutar! E vou conseguir o que quero, na hora certa!

No mais, estamos bem! Com saudades todos os dias! E desculpe se as vezes choro, como agora, mas é que eu sou assim mesmo, gosto de me lembrar do que passou e como foi bom! Não é um choro de tristeza, e sim de saudade porque aconteceu... aconteceu!

Eu só sinto, pelas noites que não conseguirá me irritar na hora da novela da Globo, sempre odiamos os mocinhos, mas era divertido ouvir você satirizando todos, mesmo que fosse nos momentos mais emocionantes... Sinto pelos filmes que não veremos mais juntos e que você insistentemente não poderá dizer que já assistiu todos mesmos os não estreados no cinema... Sinto pela Bohemia que não beberemos hoje, e pelo Vinicius e Chico que não ouviremos juntos, acho que você prefere ficar ao lado dos anjinhos tocando harpa (ha ha ha)... Sinto pela peixada que você não poderá fazer hoje, mas não sinto pelo fato de eu ter que cortar a cebola... E sinto pelas fotos que seriam tiradas as quais você sairia com cara de bunda...

Mas, eu não sinto, nenhum um pouco, do fundo do meu coração... falta do seu rostinho triste, chateado, doente, e sem vontade de cantar... aquele rosto de quem perdeu esperança na vida... pois, antes da minha apresentação da monografia, eu senti que você iria partir, e me doía tanto te ver daquele jeito... vivo e sem vida... eu prefiro você assim, como no meu sonho... forte e bem... e repito: "Obrigada, por me ensinar a cultivar esse sentimento pela vida: a Paixão!" E prometo que mesmo diante das dificuldades, eu vou cantar!

Mesmo diante da saudade eu vou cantar! E vou fazer o possível para "reinventar o amor"! Eu te amo!

PS.: Converse com o Chico para ele ser legal comigo!

da sua Iaiá..."

Hoje, é o dia do Ioiô, meu coração não quis falar sobre outra coisa... a saudade está além da conta... Não quero deixar a impressão de dias tristes, mas sim dias nostálgicos... Eu me sinto com medo e feliz... Depois da quase depressão pré-aniversário... o aniversário foi ótimo... E para quem quer saber notícias de Alice e Dorothy... eu não sei explicar, mas depois de 6 doses de tequila... se transformaram em Cinderelas... e aí todos já podem imaginar... a fada madrinha... a ábobora e os sapatinhos de cristal... e o mais importante... voltar da rua antes das doze badaladas... 00h00 estávamos em casa... eu insconsciente! Não conto o que aconteceu, pois realmente não me lembro! ^^

E se eu não lembro eu não fiz! Cantar música sertaneja em espanhol? Não eu Nego!

MINISTÉRIO DA MORENAY FLOR ADVERTE: NÃO VIVER "O QUE HÁ PRA VIVER" PODE CAUSAR SÉRIOS RISCOS DE AMARGURA.

Meu Tarot pessoal que o diga com aquela "Rainha de Espadas"... por isso estou tentando viver a vida simples como ela tem sido... sem muitas exigências... e sem pressa de chegar...

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Rompendo o silêncio de dias...



"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."


Cheguei da biblioteca e fiz o de costume. A água para ferver e as flores de camomila na xícara, outro tranquilo final de tarde. O dia resolveu chorar e se pintar de cinza. Subi para o quarto liguei o computador, a porta para o descanso, nada de leis, nada de concurso... apenas me dou a liberdade de apreciar as poesias, contos, o conhecer novas vertentes, sentir-em coração de outrem...

E comecei a escrever sobre um domingo na praça, mas devido as circunstâncias da vida, eu resolvi com todas as minhas forças me libertar desses pensamentos de que "o que seria da minha vida se ele estivesse aqui"... e eu já falei tudo o que tinha para dizer, chorei o que tinha para chorar, esbravejei maldades, mas nada voltará no tempo e será como antes... á começar eu não ou mais a mesma pessoa quando o conheci... eu nunca escrevi sobre a "nossa verdadeira história" aqui no meu canto particular... Talvez fosse o medo dele ler sobre o que eu sentia e entender tudo errado... realmente apostar todas as suas fichas num amor e tudo desabar no dia seguinte é desesperador... Mas tal domingo e a história toda agora está enterrada... foi queimada e agora enterrada!

Ao tempo que desisti de falar sobre o que me entristecia... Não pôde um convite passar despercebido... E de repente me deparo com Borges... um dos preferidos do meu pai... foi impossível não lembrar de uma de nossas conversas... e mais uma vez o tempo parou e eu fiquei em silêncio tentando ouvir a voz dele dentro de mim... E como se não bastasse, tinha ainda a saudade de dividir com ele boas palavras... A "leitura Germaneana sobre a leitura Borgeana" muito me emocionou...

A primeira lembrança que tive foi de um dia estar com sono, mas numa luta para não dormir... e uma melodia que meu pai insistia em cantarolar... "Ioiô..." e por incrível que pareça, foi a única que não aprendi a cantar com ele... a minha música de ninar... De volta a leitura, chorei ao ler a poesia, que o Germano colocou ao final do seu texto... "a molhada tarde me traz a voz desejada de meu pai que volta e não morreu...

E a pesquisa se deu com êxito, achei a melodia que trazia meu sono..."Linda Flor"... um samba canção de 1929...

De forma infantil, desesperada em saciar a minha saudade... me consolei ao ler e repetir para mim mesma... "de que não estamos mortos depois da morte"... Estava chovendo, já havia terminar de ler... cerrei meus olhos e deixei-me levar na voz de João Gilberto e sua filha...

Eu demorei a escrever este fato aqui hoje, talvez tenha sido o destino... porque dias depois sonhei com ele... e ele me dizia... "-Filha, eu estou vivo!"... E acabei fraquejando durante esses dias... Eu tinha tantas coisas a escrever... esse post de hoje deveria sim ser sobre uma boa saudade e não só uma confissão, pois só tive vontade de dormir... e mais nada... eu parei tudo nesses dias... para o nada e para o medo.

Mas estou voltando aos poucos... desculpem-me pela ausência...

domingo, 15 de março de 2009

Gostava tanto de você...


MusicPlaylist
Music Playlist at MixPod.com



Há algum tempo recebi um e-mail intitulado "três músicas", a princípio pensei que era um daquelas correntes que falam da vida, mas não... Apenas um slide com três músicas que adoro muito, e que não conhecia as histórias verdadeiras ou os fatos que levaram os três compositores criarem músicas tão lindas... entre elas, "Flor de Lis" de Djavan, "O mundo é um moinho" de Cartola, e "Gostava tanto de Você" de Edson Trindade, mais famosa na voz do Tim Maia... todas têm algo em comum, foram feitas para as filhas dos compositores... e ao saber das três histórias, hoje escuto tais músicas com outros ouvidos... e uma delas hoje não me sai da cabeça... Ao contrário do que muita gente pensa, ao contrário do que eu pensava, a música do Edson Trindade foi escrita para a filha dele que morreu num acidente... nada de assuntos fúnebres... apenas uma saudade que não quer calar...
E hoje, completa 3 meses que estou sem meu "nigrinho"... a semana de festividades foi ótima... o ruim mesmo foi mergulhar de cabeça e esquecer a tristeza de saber que ele não estaria aqui... e agora que tudo passou... fica este silêncio... e a presente conversa que tivemos naquele domingo em família... ainda não havia dito isto aqui... naquele domingo conversamos sobre tudo, a vida, amigos, trabalho, sonhos, coragem... tudo... e desculpem-me aqueles que não entendem os sacrifícios que cometerei a partir deste mês... mas é que meu sonho vale a pena... e meu pai mostrou isso para mim... e não vou me distrair...
Hoje estou sozinha, não solitária, tenho amigos espalhados por aí, uma mãe estudante me dando apoio, e nunca estive tão firme em lutar por aquilo que quero... até o medo estou a fim de enfrentar... não importa o tempo que demorar... mas terá de valer a pena... e para valer eu preciso desse tempo só para mim... se for preciso vou pagar pelo preço...

Hoje eu não pude deixar de chorar e sentir saudades dele... mas nada de músicas tristes...

Paiê, te amo sempre!!!



"Não sei porque você se foi
Quantas saudades eu senti
E de tristezas vou viver
E aquele adeus não pude dar...

Você marcou na minha vida
Viveu, morreu
Na minha história
Chego a ter medo do futuro
E da solidão
Que em minha porta bate...

E eu!
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você...

Eu corro, fujo desta sombra
Em sonho vejo este passado
E na parede do meu quarto
Ainda está o seu retrato
Não quero ver prá não lembrar
Pensei até em me mudar
Lugar qualquer que não exista
O pensamento em você...

E eu!
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você..."


* A título de curiosidade, a música do Djavan foi feita para a esposa e a filha que morreram no parto, daí entendi o porquê "do pé que brotou Maria, nem margarida nasceu". E a música do Cartola, ele fez a filha que decidiu seguir a vida de prostituta.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Belas.

Há dias em que a minha mente fervilha de idéias... ainda mais em dias quando estou reunida com as "Luluzinhas"... e foi numa desses dias em que as blogueiras de plantão, eu e dona Dorothy C. S. tivemos a idéia de nos fazer um desafio e escrevi Encontrando a Fórmula... e ela Como arranjar um namorado até o dia 12! e sempre trocando figurinhas por causa dos blogs... ela teve uma idéia... de ao término da faculdade fazermos um blog para todas as Luluzinhas, e que todas iriam participar... contar as histórias pós-faculdade...

E é com muito orgulho, ainda em ritmo de FESTA DE ANIVERSÁRIO, que o "FAZ ESCURO MAS EU CANTO" e sua autora MORENA FLOR APRESENTA:

"BELAS. - de direito e de fato..."

Vale a pena conhecer cada uma das integrantes... amigas queridas, das quais sentirei saudade no meu dia-a-dia...



sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Viajamos sete léguas...

E por Deus nunca me vi tão só... Eu tinha muitas coisas para escrever, mas as palavras não fluem... somente alguns ressentimentos de "víboras" que se aproveitam do meu estado sensível aflorado, em atos de egoísmo dizendo o que lhes dão na cabeça só porque se dizem condescendentes a minha dor... Ora... eu não sou hipócrita, aliás foi uma das coisas que meu pai mais me ensinou a não ter no meu vocabulário... eu não tenho tolerância a hipocresia...

É, eu ainda tenho uma educação de berço que me faz pensar antes de dizer grandes verdades que magoariam ou que trariam situações constregedoras... mas aqui eu posso tudo... ou sempre pensei que pude... até um outro alguém me descobrir e achar que tem o direito de usar da bebida para falar tolices...

Chega! Eu cansei...

Eu não posso voltar no tempo, mas no momento não resta outra vontade a não ser dizer o que eu quero... e não me importa agora o quanto isso doerá nos corações alheios... não me importo... porque eles não se importaram nenhum pouco...



Para o canalha "príncipe dos conquistadores" muito egoísta de sua parte, em hora tão imprópria lembrar de tolices do passado... sei lá o que foi verdade, só quero que saiba que nada me importa agora... e se eu desliguei na sua cara... foi uma escolha minha... há momentos em que descobrimos a vida real... e o quanto pode-se ter sido tola quanto a verdadeiras mentiras sinceras... não me importo com seus sentimentos... e se você tivesse entendido o telefone sendo desligado na sua cara mais de uma vez.. não teria nunca mais me procurado, ou teria respeitado o meu espaço... eu não posso mais ser livre aqui, porque vossa senhoria se acha no direito de ficar bisbilhotando... faça-me o favor... desapareça... do contrário vai me fazer abandonar o espaço antes que eu complete 1 ano de blog... e não! não faço realizo desejo de ninguém exceto os meus... aqui é meu espaço... se comentou... comentou... é bom que outras pessoas vejam... o quanto o mundo está cheio de hipócritas...
Quanto aos que acham que sou forte o bastante só porque eu estava sorrindo naqueles dias... saibam... eu só queria um colo... mas o mundo é feio... e existem pessoas baixas que não se importam com seus sentimentos a não ser nas suas próprias intenções.... mas neste caso eu fui tola... e permiti que acontecesse... mas acredite... foi a ultima vez...

Nem só de ódio vive meu coração... eu acredito estar futilmente feliz... eu não encontrei nenhum vestido para a minha festa de formatura que ficasse bem no meu corpo, agora gordo, mas encontrei um tecido da cor que queria... achei uma sandália linda e barata... ganhei um conjuto de cores de maquiagem que usarei no dia da festa... tenho tudo... para festar.. embora não haja vontade... até a música de entrada já foi escolhida... futilmente feliz como eu disse...

Meus sentimentos quanto ao natal pioraram... mas eu vim parar na casa da minha "fada madrinha"... tive dias realmente maravilhosos... o ano novo.. apesar da saudade foi ótimo... e talvez papai noel tenha me trazido um presente bom... instantes de paz...

E para quê tudo isso? Se ele não vai estar fisicamente lá... é hoje meu lado egoísta está forte... eu queria que você estivesse lá... dançando comigo... com aquela cara amarrada me chamando de "nigrinha insuportável"... Nossa como estou zangada... como naquele dia... em que chorei na casa da vovó porque você iria viajar e não ficaria para apresentação de dia dos pais... e eu lembro que quando estávamos na frente da escola você estava lá... me olhando papai... ai que saudade...

E amanhã estarei voltando para a minha terra, estou com uma saudade da minha gente humilde, mas sinto um vazio insuportável... queria estalar meus dedos e cair em uma outra realidade que não seja a daquela casa.. que eu não veja mais aquela cena de você morto nos braços do meu irmão... até o último instante entre os seus né querido papai... quero lembrar de você sorrindo cantando... "quem te viu quem te vê"...
Aos meus queridos amigos blogueiros... orbigado pelo apoio e cada palavra fora guardada com muito carinho... Faz escuro, e canto, agora, baixinho:

Mas tudo passa... tudo passa... tudo passará... E nossa história não estará pelo avesso assim sem final feliz... teremos coisas bonitas para contar... E até lá vamos viver, temos muito ainda por fazer... não olhe para trás... apenas começamos... o mundo começa agora... apenas começamos...



terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Faz escuro...


e hoje eu não quero cantar... na verdade, não vou cantar durante um bom tempo... um pedaço de mim se foi ontem, numa manhã chuvosa... meu amigo, meu boêmio, meu poeta, meu mestre, minha vida, minha paixão, meu amor, meu pai ontem cansou-se da vida...
Não há motivo para cantar hoje, nem amanhã.... e não sei quando conseguirei...

Não há música, nem verso, que possa explicar a saudade... Samba da Benção é simples demais... Chega de Saudade... não dá pra ser cantada sem o seu grave junto...

Ah! Se capaz eu também fosse de dizer do meu amor por você.... mas hoje eu prefiro ficar em silêncio... quem sabe assim... eu ainda possa escutar você cantando pra mim... "quem te viu e quem te vê" do nosso Chico...

Saudade Pai.... do meu poeta, poetinha vagabundo... se todos fossem iguais a você.... e a vida não gosta de esperar... a vida é pra valer, a vida é pra levar... Papai velho Saravá...

te amo...

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Aventuras e Desventuras...

CONVITE:

Caros leitores, a pedidos de uma grande amiga, eu resolvi fazer um pouco mais... porque eles são para mim "mais"... motivos de minhas saudades... essa, essa aqui também... Por isso a idéia de criar um espaço só para essa "gente"... Aventuras e Desventuras

Sintam-se convidados... Pois, para mim, dividir essas grandes lembranças na parede da memória, será de imenso prazer...

Além do convite... quero lhes desejar um Feliz Novembro!!!


Com Carinho... Morena Flor.

domingo, 20 de julho de 2008

Loucos e Santos


Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.

Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.

Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto.

Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.

Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos, para que nunca tenham pressa.Quero amigos para saber quem eu sou...

Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril..."



-Oscar Wilde-



*Feliz Dia do Amigo! Amo Vocês!!



domingo, 6 de julho de 2008

Quero ser "A sua"...


Eu so quero que você saiba
Que estou pensando em você
Agora e sempre mais
Eu só quero que você ouça
A canção que eu fiz pra dizer
Que eu te adoro cada vez mais
E que eu te quero sempre em paz
Tô com sintomas de saudade
Tô pensando em você
E como eu te quero tanto bem
Aonde for não quero dor
Eu tomo conta de você
Mas, te quero livre também
Como o tempo vai e o vento vem
Eu só quero que você caiba
No meu colo
Porque eu te adoro cada vez mais
Eu só quero que você siga
Para onde quiser
Que eu não vou ficar muito atrás
Tô com sintomas de saudade
Tô pensando em você
E como eu te quero tanto bem
Aonde for não quero dor
Eu tomo conta de você
Mas, te quero livre também
Como o tempo vai e o vento vem
Eu só quero que você saiba
Que estou pensando em você
Mas, te quero livre também
Como o tempo vai e o vento vem
E que eu te quero livre também
*Como o tempo vai e o vento vem*
Ah! Só estou com saudades de ti... E seria impossível não cantar essa música hoje... Guardei esse sorriso para ti....

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Nas Margens da Piraputanga...

Eu sentei e chorei...

Não. Não foi por amor, como Pilar...
Chorei, por saber, que todo aquele lixo, através das águas da chuva, vem parar aqui... neste lugar lindo...
Recordo-me, dos meus tempos de criança... Mamãe fazia massa de pão para eu pescar peixinhos à beira do rio... e que alegria a minha... alegria de outras crianças nadando nessas águas...
Saudades de uma vida mais pura... inocente... menos poluída...
Às margens deste lugar, ri, brinquei, pesquei, pensei, sonhei, amei, hoje eu choro...
Que suas águas, não tão geladas quanto o Piedra, levem para longe as minhas lágrimas...
PIRAPUTANGA, 03 DE JUNHO DE 2008.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Maio...




Não sei o porquê... mas Maio, para mim, é um mês adorável... e por ser... faz lembrar margaridas.... como eu as adoro... estas lembram, por sua vez, que a simplicidade da vida tem sua beleza... e então bate uma saudade... uma felicidade... uma vontade de cantar... uma vontade de sorrir... uma vontade de Bossa... "se no mundo todos fossem iguais a você"... ai... ai... ai... "eu sem você, não tenho porque"... Ah! Meu broto maroto!
Mas hoje vou entrar no mês de Maio sentindo a voz maravilhosa de Elis...
"Vento de raio... Rainha de maio... estrela cadente...Chegou de repente...O fim da viagem...Agora já não dá mais Pra voltar atrás...Rainha de maio...Valeu o teu pique...Apenas para chover...No meu pique-niqueAssim meu sapato...Coberto de barro...Apenas pra não parar...Nem voltar atrás... Rainha de maio...Valeu a viagem...Agora já não dá mais...Nisso eu escuto no rádio do carro a nossa canção...(Vento solar e estrelas do mar)Sol girassol e meus olhos ardendo de tanto cigarro...E quase que eu me esqueci que o tempo não pára nem vai esperar... Vento de maio... Rainha dos raios de sol...Vá no teu pique...Estrela cadente até nunca maisNão te maltrates...Nem tentes voltar o que não tem mais vez...Nem lembro teu nome nem sei... Estrela qualquer lá no fundo do mar...Vento de maio rainha dos raios de sol... Rainha de maio valeu o teu pique...Apenas para chover no meu pique-nique...Assim meu sapato coberto de barro... Apenas pra não parar nem voltar atrás..."
-Das minhas saudades -

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Aprendendo com as primaveras...


Pensando aqui... tudo o que se passa para dar -se uma vida inteira.... 1986... calor... alegria... choro... carinhas... caretas... primeiros passos... primeira queda... levantar... tentar... brincar... sorrir... contos de fadas... gargalhar... bonecas... bolas... fitas... vida real... infância... simpatia exagerada... alto senso de justiça... inocência... vontade de viver a vida... dificuldades... tristezas... alegrias... nascimentos... ciúme... no entanto, amor demais... família... unida.. perdas... conquistas... problemas... soluções... poesias... 1ºamor... 1º beijo... sonhos acordados... alegria boba... 1º namoradinho... mudanças... início de um sonho... um amor distante... amigos para sempre... brigas de escola... intrigas infantis... nada muda... final... festinhas... cerveja... vinho... rock... separação... saudade... vestibular... faculdade... direito... namoro... amor primeiro... problemas... novos amigos... saudade dos antigos... decepções... besteiras... férias... viagens... novos lugares... sonhos... estágio... carreira... dinheiro... vida... casa no campo... sossego... mudar o mundo... fazer a parte... um amor verdadeiro para dividir tudo isso... nada claro... tudo incerto... terra do nunca... ou país das maravilhas... tempo... sozinha... introspecta... enclausurada...perdida... tentando encontrar... inteira como as primaveras... 22 anos de vida...


-Da história da minha vida -