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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

4 de novembro


- Você tem de tirar fotos em dias como esse!
- Pega a máquina e tira você mesma. Vai lá!
- Olha só que céu! Gostou
- Lindo mesmo!


*Saudade desse dia!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Segredo

Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você...




Quero chegar em casa pela manhã. Dar bom dia as flores cheias de orvalho. Sentir o cheiro do café forte. Ver a porta aberta. E sentir finalmente que estou em casa. Não se preocupe é só um sonho... despertarei em qualquer instante... mas por enquanto deixa eu te chamar de lar?




Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você... Eu ainda amo você...

domingo, 28 de junho de 2009

Origens...


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Não quero o Pulitzer, nem o Nobel da literatura, quero atenção !


Dias desses tive de empreender viagem até Barra do Bugres, a 150 km de Cáceres, tão perto e tão longe ao mesmo tempo, para ganhar o suado e justo pão meu de cada dia.



Desembolsei, comprovadamente, R$ 31,95 (ironia, R$ 0,52 de seguro), pela passagem, inicialmente até barata, que se tornou caríssima a partir do momento em que entrei no ônibus de nº 2630 (tenho obsessão por anotar número de ônibus), e deu-se início à aventura que causaria inveja ao famoso personagem protagonizado por Harrison Ford.

O calor era infernal. Nem Dante Alighieri agüentaria o inferno que estava naquele caldeirão ambulante, barulhento e atrasado. Tentei acomodar-me naquilo que fora num passado muito, mas muito remotíssimo uma poltrona, que por sinal estava imunda, grudenta, de cor indefinida, desbotada pelo tempo, e comecei a meditar para não sentir o calor, não ouvir o burburinho das pessoas, falando quase todas ao mesmo tempo (como somos barulhentos). Umas reclamavam que a empresa havia vendido duas passagens para uma mesma poltrona (a mesma história de sempre), incrível como isso ainda acontece nos dias atuais, mesmo com toda a tecnologia, pensei. Basta clicar um botão, eis que surge na tela do computador um croqui de um ônibus, por onde dá para saber qual poltrona está vaga ou não, (observei isso, quando estava comprando minha passagem). Outras pessoas reclamavam, reclamavam e exigiam a presença do motorista, do cobrador, salvadores da pátria naquela ocasião, para resolveram a confusão.

Eu tentando ficar alheia, comecei a divagar. Refletir sobre os últimos acontecimentos, sobre a vida. E respirando lentamente, cerrei os olhos para facilitar a concentração. Não dá, pensei, Desconcentrei-me, não tinha como ficar alheia ao que acontecia a minha volta. Calor, sacolejo do ônibus por causa dos buracos na estrada. Ora poeira, ora lama. Incrível. Riquíssimos e diversificados contos, fatos, causos, ouvi. Prestei atenção (para passar o tempo, já que não dava para ler) às falas das pessoas (cacófatos, solecismos, vícios de linguagem, enfim.) Apropriei-me delas e as transcrevo ipsis litteris:


“um homi pegou a trainha dele e pediu pra descer aqui, não sabia aonde era o sítio de seu Miguel, não sei si si perdeu no mato. Si a onça não cumeu ele, ele chegou no destino dele.”
“Nois atolô aqui noutro dia”
“Tá tudo errado as coisas.”
“Dezesseis pé que prantei, nasceu tudinho, eu tandu em casa, águo todo dia, dá cepo de banana.”
“Vô descer no Sítio Córgo alegre.”
“Pára preu descer no sítio 7 resfriadu, motorista.”
“Tenho bagagi moço pra descer.”
“Os cara chamô nóis de viado.”
“Nois tem qui iscutar tudo quietu.”
“Tem alguém aqui será?”

Quando abri os olhos, arre égua, assustei-me com o número de pessoas que estavam em pé no corredor do ônibus. Primeira parada, mais pessoas entraram, e assim aconteceu durante todo o percurso. Subiam e desciam pessoas. Lembrei-me de que alguém me disse que motorista de ônibus pinga-pinga, não pode ver mato balançando com o vento, na beira da estrada, que pensa que é gente, e pára. Comecei a rir sozinha. Mais ainda, porque me lembrei que quando estava na Rodoviária, alguém bem maior do que eu, bota maior, perguntou ao rapaz do guichê, por cima da minha cabeça: “esse ônibus pra Barra vai tocar direto ou é pinga-pinga?”

Voltemos para dentro do ônibus. Havia além dos quarenta e poucos passageiros sentados, conforme o permitido, mais de vinte pessoas no corredor (entre elas idosas e crianças).


O calor aumentou, lógico, e o blá-blá também. Estou longe de ser Sidarta Gautama, para meditar neste lugar, pensei. Passei então, de olhos abertos a observar tudo e todos. Comecei a ler, interessada, os cartazes, adesivos afixados no interior do ônibus. Excelente, pensei, para se trabalhar em uma aula de português: “ Senhores motoristas – não corra, não mate, não morra.”; “ O valor das despesa (passagem, hotel e restaurante), serão parcelados em até 15 vezes.) “Maiores informação falar com...”; “3ª Romaria de Férias”, “Excursão de Férias.”

Pensei com os meus botões, e queria entender como há pessoas que se permitem viver situações como aquela. De quem é a culpa? Das pessoas, que não estão nem aí para nada, e se deixam carregar como se fossem gados? Ou culpa da Empresa? Ou dos órgãos que têm o dever de fiscalizar e não o fazem? Pois, até gado é melhor tratado. Na Índia, a vaca é animal sagrado, vai entender este mundão.


Da calmaria passei à indignação. Calor medonho, mistura horrenda de perfumes, lavandas, odores fétidos, nauseabundos. Não sou escatológica, mas em um ônibus lotadíssimo, onde pessoas estavam quase saindo pelas janelas, dá para imaginar os odores mais diversos, exóticos.

De sacolejo em sacolejo, freadas bruscas, seguíamos em frente, lentamente. Eu já estava moidinha, quebradinha que nem um grãozinho de arroz de terceira.


De repente, paramos na estrada, e alguém disse que teríamos de descer para fazermos baldeação.

Além do calor, protestos indignados, havia agora a escuridão da noite.


Descemos e no escuro, apenas os vaga-lumes e alguns clarões dos celulares iluminavam a estrada. Atravessamos o que chamavam de ponte, para do outro lado esperar sabe-se lá quanto tempo, o outro ônibus, a fim de que pudéssemos continuar o que teimosamente eu chamava de viagem.


Muitas gargalhadas, protestos ouvia-se na escuridão, à beira da estrada. E nós lá, à mercê da nossa própria sorte, esperando. Pensei em onça, cobra, sapo, lobisomem, disco voador, até queria ser abduzida.

Os topa-tudo, os nem estão aí para nada, os conformados, os passivos, os estamos aqui para qualquer coisa, os jovens universitários que iam para os Campi de Barra e de Tangará, começaram a cantar, contar piadas, rir da situação em que estávamos, e eu quietinha, pensando, olhando o céu, deslumbrada diante daquele imenso tapete negro, salpicado de estrelas que mais pareciam diamantes. Ao longe, escutavam-se trovões, relâmpagos riscavam o céu. Só falta chover, pensei.


Enfim, após longa espera chegou o outro ônibus, de ré, e retomamos o que cismo em dizer que é viagem.

Mais paradas, mais passageiros. Parecia que o ônibus iria explodir de tanta gente, parecia lata de sardinhas, panela de pressão, todos espremidos, esfregando-se uns nos outros. Calor, odor fétido, cansaço, sacolejo, peças rangendo. Pessoas em pé escorando-se nas que estavam sentadas e incomodadas.


Mais uma parada. Sobem algumas senhoras; uma delas com uma garotinha de olhar cansado, medroso, ressabiado, com enorme ovo de Páscoa em uma das mãozinhas. Agarrava com tanta força o ovo, como se fosse o bem mais precioso, talvez realmente significasse muito para ela.

Eis que chega o todo poderoso cobrador, e indaga à mãe a idade da criança. Ele não acreditou quando ouviu que a menina tinha quatro anos. Exigiu a Certidão de Nascimento, pois paga-se passagem a partir dos cinco anos. Diante da resposta da mãe, que não portava tal documento, constrangeu-a, humilhou-a, ameaçou-a dizendo que era ordem do juiz (que peso tem esta palavra para as pessoas que sentem medo de autoridades), embora o juiz não tivesse nome. Advertiu-a que seria a última vez, e que na próxima não embarcaria.

Diante da cena, mais indignada fiquei, e pensei, com que moral a Empresa por meio daquele cobrador exigia o famigerado documento da mãe, quando não poderia prestar um serviço decente, digno. Não poderia cobrar documento, valor da passagem da mãe, quando não ofereceria lugar para sentarem-se. É ilógico, incoerente.


A criança assustada, agarrava-se cada vez mais na perna da mãe, que envergonhada, após o entrevero, tentava equilibrar-se entre um sacolejo e outro. Dava tapinhas amistosos, carinhosos nas costinhas da filha, como se estivesse dizendo que tudo estava bem. Mãe é mãe.

Fechei os olhos marejados de lágrimas. Senti-me menor do que já sou, impotente diante da cena. Que país é este?


Recordei-me, oportunamente dos integrantes do Estradeiro, quando há mais ou menos três anos, se aventuraram em seus ostentosos e confortáveis carros, brincando de conhecer a realidade do nosso Estado, eu os desafiaria a viajar num ônibus que saiu da Rodoviária (?), não sei se se pode chamar aquele depósito fétido no centro de Cáceres de Rodoviária, às 16h30, e que chegou ao seu destino, Barra do Bugres, às 23h30. A propósito, qual é o destino da taxa de embarque paga por cada passageiro, cujo valor é de R$ 1,75?

Desafiaria as autoridades políticas federais, estaduais, municipais, populistas, que dizem ser amigas do povo, proprietário(s) da empresa, a viverem essas cenas sem indignarem-se, em uma estrada que já foi asfaltada oficialmente.


Em nome daquela menininha de olhar cansado, assustado, e que me fez chorar, resolvi escrever e compartilhar minha experiência, pois há pessoas que sabem se defender, outras não, estão entregues à sorte miserável, se der azar na sorte, se dão bem. Deus proverá tudo, dizem os resignados. Só pelo poder divino, pois está cada vez mais difícil confiar em quem tem o poder (que aliás é passageiro, dura 2, 4 ou 8 anos, mas passa) nas mãos para mudar algo em nossa realidade e nada faz.


Orion, o labrador lá de casa, é mais confiável, mesmo quando ameaça com seus quase 60 quilos, pular para cima de mim. E mesmo assim, não sinto medo.
Não quero ser Diogo Manardi, mas tudo ao meu redor conspira para isso, serei ovacionada por uns e execrada por outros. O que fazer?! Segundo o filósofo Bambam, faz paaaaarte. Decidi enterrar meu título de eleitor. O ano que vem está próximo.

Margareth Krause
Cidadã brasileira!

* Essa estrada Cáceres-Barra do Bugres fora asfaltada 3 vezes, no papel. Era a estrada que meu pai pegava para trabalhar, antes dele ficar mais doente. E é ainda a estrada que a minha mãe segue quase toda segunda-feira com olhos cheios de lágrimas. Não, a minha mãe não é fresca. É que tudo faz parte de uma luta antiga e uma política podre que se instalou. Desde que meu pai ficou doente, minha mãe não foi mais para lá, mas não conseguiu a transferência que lhe era de direito, por uma simples perseguição política. E se não fosse trágico, seria hilário, meu pai morreu. Eu, não faço parte dessa hipócrita instituição, apesar de ser "filha", e posso dizer que se tratava de perseguição política, e tudo por um mal entendido misturado com aquela ganância política, que vemos todos os dias na televisão. Mas o que me consola é que um dia impérios construídos em bases fracas, caem. Mas eu não estou mais preocupada com impérios alheios. Estamos na luta para conquistar sim outros lugares. Como eu disse em post anterior, mesmo de cabeça baixa, um dia vamos cobrar com juros. E finalmente a estrada está sendo asfaltada...


* *Outro dia estava conversando na aula de inglês se criatividade viria da família. Apesar de conhecer casos que não, devo o gosto musical, literário, o pensamento de aspecto revolucionário, aos meus pais. É claro, ainda não estou lá, mas chego. Sempre gostei de poesias, mas ultimamente me interesso pela prosa, então estou a aventurar para aprender e colocar no papel algumas idéias. E com a semana corrida que estou tendo, ainda não consegui escrever sobre o que eu queria. E claro com aquela tristeza e raiva contida contribuiu para a falta de inspiração. (Eu estou mais calma! :D) Espero que tenham gostado do texto acima, é de Mamita!
E no mais, eu estou melhorando no Español, e no Eglish! Y trabajando mucho! O Jusé está meio estresado com os trabalhos de escola, principalmente uma animação que ele vem fazendo sobre Antonio Conselheiro, que vou postar aqui para vocês assistirem!! Essa semana vamos nos dar folga assim que julho chegar. Só fica a saudade de Papai...



*** Eu prometo que trago as poesias de Papis...

terça-feira, 23 de junho de 2009

Viu Macabéa...


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- Viu Macabéa, a cara é mais importante do que o corpo. Sabe por quê? Porque a cara mostra o que a pessoa tá sentindo lá dentro. Por exemplo, você tem uma cara de quem comeu e não gostou. Eu não aguento cara triste. Vê se muda de expressão pelo meno uma vez na vida.

* Cena e fala do filme "A hora da Estrela" de Suzana Amaral, com Marcélia Cartaxo, como Macabéa.
** Está bem... E daí? Está te incomodando? E você tem cara de quem comeu palhacinho estragado no almoço!! Fala para ele Maca!!!

domingo, 21 de junho de 2009

Dessa vez mais alto!!


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Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão.
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão

Apesar de você
amanhã há de ser outro dia.
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar.

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido,
Esse samba no escuro.

Você que inventou a tristeza
Ora tenha a fineza
de desinventar.
Você vai pagar, e é dobrado,
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar.

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria.

Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença.

E eu vou morrer de rir
E esse dia há de vir
antes do que você pensa.
Apesar de você

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia.

Como vai se explicar
Vendo o céu clarear, de repente,
Impunemente?
Como vai abafar
Nosso coro a cantar,
Na sua frente.
Apesar de você

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai se dar mal, etc e tal,
La, laiá, la laiá, la laiá!!!!



* E mais uma vez eu canto esta música para mim mesma. Não surtiu efeito da última vez. Situações trágicas, pedem medidas extremas. E o Chico ajuda neste momento, sei que a música está ligada à coisas maiores que a minha vida, sem menosprezar o meu dia-a-dia.
Quanto ao outro Chico, continua temperamental, e dando muito trabalho. Ele deve a mim uns calos que tenho no meu pé, e as sandálias sujas de poeira, e o danado ainda ganhou um banho, já que estava muito sujo, e de castigo na casa da vovó. Olha, os dias tem sido difíceis, apesar de não parecer. "A minha gente anda olhando para o chão, mas amanhã vai ser outro dia". Embora eu não tenha forças para acreditar nisso todos os dias. Já perdi o controle de tentar agradar gregos e troianos. Se eu tiver vontade eu digo que vou chorar, se eu não tiver vontade de falar, irei gritar pedindo silêncio. Acreditem estamos contando os dias... paciência é realmente uma virtude a ser ainda muito aprendida... Eu chorei muito, chorei mesmo, "Sólo le pido a Dios", não foi suficiene para colocar tudo para fora. E eu admito, sou pequena demais para entender porque certas coisas estão como estão. Falta de fé? Se fosse só este o problema. Reconheço ser egoísta, e não nego ser humana. É que está doendo demais... e diante dessa vida que para mim soa como "La Foule", eu me sinta como Macabéa , "sem coragem de ter esperança"... "um vago sentimento nos paralelepípedos sujos"... Esse batom vermelho é para enfrentar o mundo... a tinta na cara... "e a vida continua".... eu estou tentando... "Trust in me Baby, Give me a time!"

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Coisas de Vovô...


"Ôh, Caboca, escuta essa..."
"Há três pessoas perigosas no mundo: Moça que ganha presente; Menino que acha coisas na rua; E Homem que tem visagem;"

"Moça que gosta de lentilha, casa mais rápido."

"O Professor chegou na beira do rio e tinha um catraieiro. Catraieiro, é uma daquelas pessoas que atravessavam as pessoas a remo de um lado para outro. Aí ele disse: - Catraieiro, me atravesse desse pólo aquele hemisfério. Aí o Catraieiro ficou assustado e disse: - O quê? Cemitério? Aí o professor respondeu: -Olha se for por ignorância eu te perdoo, mas se for zombando da minha alta "fisopopéia", eu te darei com essa bengala fosfórica no alto da sinagoga e te tranformarás em ossos cadavéricos... Aí o Catraeiro deu um pulo para trás e disse: - Chega professor! Que com toda essa bagagem a minha canoa alaga!"


*Ouvi uma outra versão da mesma estória que dava para distinguir a palavra que meu avô diz, e que eu não consigo entender. Acredito que na música "Vo imbolá" do Zeca Baleiro, dá de se ouvir corretamente, no entanto, como me interessa muito mais guardar a preciosa estória de vovô como eu ouço desde criança não fiz a correção no texto acima. Minha intenção era colocar para vocês ouvirem, mas não consegui.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Síndrome aguda de "Amelié Poulain"...


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"Entre bonança e tempestades restou a ela o medo de amar. Passou a tinta branca no rosto, desenhou com o lápis preto o contorno nos olhos.

Lembra-se da cena de quando Piaf descobre que Marcel está morto, saindo do quarto para o palco...

E a cortina se abre! Tudo gira em perfeita sintonia... As risadas, os brindes, e as alegrias nos rostos dos que a assistem.

De repente um ato falho, ela esqueceu-se da fala arduamente decorada... E entram os contra regras e as cordas dos violões se agitam...

E ela volta... Não sei se volta triunfante, pois sabe o que a espera no camarim - seu reflexo no espelho.

No auge do espetáculo alcoólico, ela lembrou de que era hora, e quase como uma Cinderela as avessas esqueceu-se das boas maneiras nas escadarias do teatro.

E vem a parte mais dolorida de sua divina vida o som que faz a porta do seu quarto que se encontra vazio e escuro.

Ela liga a luz, olha-se no espelho, viu seu rosto cansado e lembrou-se que não tinha aquele “lábio amargo”, nem aquelas palavras tão vis... Mas já era tarde, a palavra já tinha sido dita, assim como a pedra lançada.

E tão certo quanto que o fim da vida é a morte, ela sabia que era impossível voltar ao tempo que sentia saudade. Limpou a tinta manchada pelo choro do rosto, e reclamou ao mundo o motivo de não tê-lo, no entanto se agarrou àquela velha mentira para poder dormir em paz.

E antes de cair no sono, lembrou-se da tese de Amelie sobre a menina com o copo de vidro, do quadro de Renoir, talvez fosse cômodo para ela também sonhar do que viver.

Nos sonhos, pode-se controlar até mesmo as decepções. Ela precisa se afogar nesse “mar absoluto” da vida, mas não sabe se irá agüentar... Mas a vontade de permanecer inerte lhe é mais convidativa..."

Os dias passam, certos sentimentos não... apenas uma continuação da história dessa mulher sem nome que inventei aqui dentro de mim... Quanto ao carnaval, a minha casa foi a minha escolha... apenas uma reunião com os amigos... quanto as cores da foto... imaginem! E digo que "foi bonita a festa pá, fiquei contente"

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Sem parágrafos...

Paga-se caro pelo medo. Paga-se caro pela insegurança de se entregar, não para um amor maior, falo da vida. A vida bate na porta! Toc-Toc-Toc! Barulho incessante. Mas o medo se apodera da essência da alma! O pior, paga-se pela curiosidade de saber: o porquê? o como? o quando? o onde? e o quê? Ela lhe deu liberdade de ir e vir... na verdade não deu, o fez reconhecer que tinha. Ele trouxe incertezas e o abandono. Ela lhe deu o abraço e o colo. Ele a deixou "sem carinho, sem coberta, num tapete atrás da porta". E ela não se contentando com a tristeza de ser mais bela, mais amável, mais... sabia que não A era. Sentiu-se lixo! Sentiu-se menos mulher! A beleza não mais importa. Os bilhetes e as flores dos outros amantes são nada diante de tudo... Um ouro reluzente sela o silêncio do grito de um amor quiçá verdadeiro, proibido, não permitido pelo meio determinista permitido por eles. Ela pagou pelo pecado de alçar voôs. Ele pagará pelo pecado de aceitar o seu destino de pedra imóvel na praia. Ela aceitou o destino, nada fez! Nada lutou! Covarde? Não sei. Um amor a ser lapidado. Por ele nunca sentido? Por ela para sempre guardado? Ela olha para a porta do seu quarto, e a vê aberta. E nota o perfume que deixou de passar, a roupa que não usou, o cabelo que não arrumou, a maquiagem do dia... e para quê? Para ser refém de um medo sem razão... E cá neste canto do quarto lamentou-se dos beijos, sabe-se lá verdadeiros, não dados esta noite...



À minha tristeza... eu canto...


"Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu
Você que inventou este estado
Inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar"

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Eu rabisco o sol que a chuva apagou...


Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração... e quem irá dizer que não existe razão?

Ela saiu do serviço, quando ainda o relógio apontava 17h21, e ansiosa por ver um rosto antigo e amigável, lembrando que todo dia é bom para se viver um happy hour, revendo companhias que há tempos vêm ajudando-na a escrever a sua história...

O engraçado é que este encontro está revestido de lembranças, de dias que não voltam, de uma nostalgia intensa e sincera... e que a farão lembrar de um sentimento quiçá adormecido...

Todavia, ela deixa de lado as tristezas e as preocupações com a vida, e até mesmo o cansaço de um dia corrido, afinal seu momento "princesa" passou... e aproveita cada risada e gota daquela bebida convidativa, em um dia que se fez tão quente...

E ela conversava, sorria, dava gargalhadas como há tempos não se ouvia, contava e escutava "causos", e é assim que a vida fazia sentido durante todo esse ano... e no meio de tantas lembranças e novas estórias e fatos... ela lembra dele... e assim os faz lembrar que está para chegar...

Embora , sua face fique avermelhada, pois tenta esconder um sentimento que por mais das vezes está estampado, escancarado na sua testa como uma placa luminosa e brilhante dizendo que ainda o ama... ela ri... envergonhada por não se conter no seu segredo...

Em pensamento canta "eu preciso dizer que te amo"... lembrando de uma tarde, onde o sol se pôs distante de sua terra, e que segurar naquela mão fazia a vida toda já vivida ter sentido, e ainda ao dormir contando casos e besteiras, com tanta coisa em comum, em que os segredos escapavam... ela lembrou que não conseguiu dizer com todas as letras que o amava... falta de coragem? Maybe... talvez ela só queria viver intensamente o calor daquela mão já que a noite era fria, porém linda...

Lembrou também que durante esses dois anos, as tantas vezes que ela ensaiara para dizer, no entanto sempre lembrava de uma outra tarde chuvosa, em que ele, ao telefone, simplesmente disse: "fico honrado", e daí não era necessário outras palavras... ele tentando reverter o choro que chegava sem vergonha nenhuma, cantou uma música única, já que os acordes só partiam daquele violão... porém foi inevitável que os olhos chorassem ao amor não correspondido...

Sim! Ela ensaiou durante tanto tempo, e ainda ensaia... são poucas... pois prefere se agarrar na idéia de que somente quer que ele seja feliz seja ao lado de quem ele escolher...

Voltando então, para o Happy Hour, rodeada de amigos, vê que a hora já se faz tarde... resolve ir embora... não se sabe se embrigada pela alegria, pela tristeza, ou pela bebida... resolve curar quem sabe um dos causadores da embriaguez... com um lanche antes de chegar em casa... e ao esperar... eis que surge acordes conhecidos, aqueles que embalavam a época em que ela o conheceu... "e mesmo sem te ver, acho que até estou indo bem"...

E ela tomou coragem para ouvir aquela voz... resolveu ligar... depois colocaria a desculpa na embriaguez latente... e não é que foi ele que atendeu... disse que estava pensando em ligar para dar os parabéns...

E ela soube que "ele ainda é parte do que a faz forte, um pouquinho infeliz... mas tudo bem... tudo bem..."



E aqui encerro a história dessa personagem, sem nome, com um pouco de mim... "porque lá vem... lá vem... de novo... acho que estou gostando de alguém... e é de ti que não me esquecerei..." Porquanto, esse órgão aqui no meio do peito, cansou de ser altruísta...

Ré confessa...



CONVITE:

Amigos Blogueiros, a Lekkerding teve uma idéia de fazer um AMIGO SECRETO entre nós blogueiros, como achei muito interessante, resolvi compartilhar com todos essa idéia, leiam esse post aqui e sigam as instruções, acredito que será divertido!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Mentiras sinceras...

Talvez a emoção contida num primeiro beijo possa explicar de forma clara e terna, o quão verdadeiro tem tal ato...

Sabe aquele sentimento que nos corrói por dentro quando aos 12, 13 e 14 anos, encontramos aquele garoto que faz o nosso coração bater mais rápido, no corredor da escola... e quando ele nos dá aquele oi que nos valerá para o mês inteiro...

Lembrar dos tempos de escola, é algo que a faz sentir saudade, quase que um "vamos fazer um filme", na voz do Renato Russo...

E essa era a música que embalava o seu coração por aqueles corredores, os eternos pedidos para ir beber água, ir ao banheiro, ou até mesmo fazer a tarefa fora da sala, tudo para ver os garotos "mais velhos"...

Não ele não era um Deus Grego, não era forte, nem estava entre os mais cotados da escola... não era nem simpático, mas era o seu "primeiro amor"... E já se sabe como são as mocinhas nesta idade... aos treze todas já tinham dado o seu primeiro e esperado beijo... e ela ainda não...

Aos 14 anos numa festa gelo, sem cuba libre e na vitrola whisky à go-go... até aposta rolou... e ela mal conseguia se conter de que era o pivô de toda a situação....
Ela fazendo panca de "Não me toque! Já sei de toda aposta!", mas no fundo, no fundo era mais para: "Play, Sam! As time goes by..."!

Quando deu por si ele estava a sua frente pedindo para conversar... deu uma olhada ao lado, ao fundo da cena que ali se instalara... viu seus amigos fazendo micagens e caretas por trás dele...
E lá foi ela de mãos dadas ao seu "primeiro amor", que para ela era sim, quase um artista de cinema...

Ah! Sim! Sem esquecer as dicas e observações das amigas: o olho no olho, o pedido de desculpa se por acaso de bater os dentes... e assim foram os momentos inesquecíveis do seu primeiro beijo... o garoto de sapo virou príncipe... e é hoje um de seus grandes amigos...

Mas o que quer se discutir aqui são emoções verdadeiras ou não que aconteceram após as emoções do 1º beijo de cada mulher...
Depois de buscar respostas de perguntas já preclusas... se questionou quando é que um "eu te amo" lhe foi verdadeiro...

Para ela, hoje nenhum dos ditos e não ditos parecem reais... Mesmo aquele escrito no papel de bala... Ou aquele dito ao telefone antes do crédito acabar... ou aquele duas semanas após o pedido de namoro... Fora preciso ouvir repetidamente "maior abandonado" para acreditar... as mentiras sinceras naquela época muito lhe interessavam..
.
Hoje, tais mentiras sinceras não mais lhe interessam... pois foram tantas... que não tem como mais nada ter valido a pena, nem mesmo o reaparecimento repentino e cheio de pedido de desculpas, motivo qual a levou a pensar em tudo isso...
Talvez, ela não queira que transpareça um sentimento de amargura, embora não há como negá-lo... Talvez, ela tenha permitido além do que poderia permitir e assim esperou um respeito que não existia...
Fez das mentiras um escudo... e das "pequenas poções de ilusão" motivos para mostrar aos outros o quanto era "amada"...

Pensou que talvez é preciso uma escola ou um curso intensivo em Vinicius de Moraes para saber como se vive um grande amor, que "é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro"...

Não é preciso cantadas baratas, ou mentiras sinceras... e ainda assim, esse pensamento pequeno de uma boa noitada, pois do contrário os únicos resultados que serão conquistados... são os de corações machucados, com a única intenção de machucar...

E sua única preocupação é de que quando forem verdadeiras aquelas palavrinhas mágicas, ela não consiga reconhecer o sentimento puro, tal qual aquele que sentiu quando do seu primeiro beijo... e ter "a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida".


* Esse post quero dedicar à aula de Direito Eleitoral, que tanto me inspira... não me crucifiquem, o meu colega ao lado estava desenhando... Ah! Se não fosse essa aula, só iria postar em novembro... rs..

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

O Triste fim da saia esvoaçante...


Às tardes de quinta -feira... o relógio aponta 16h15... é preciso correr a um tempo que lhe pertence... roupa fresca, sapato baixo para que não doa o pé...

Não há o toc-toc, pois não se tratam de tamancos pela rua...

A música no volume máximo, nada muito alegre, mas também nada muito triste... apenas ao ponto para poder inspirar o desabafo... o próprio eu que tanto se angustia por essas horas...

E segue assim, pela rua onde brincam as crianças... na praça, os idosos aproveitando o calor intenso... E assim escolhendo o trajeto certo para uma coincidência provocada... chega ao seu destino!

Antes da porta escura de vidro... é uma "persona" e através do vidro como quem através do espelho... ela chora... Ela pede socorro... Ela é mais Eu!

Lá ela pode gritar, acender um cigarro sem ser repreendida... pode até ser mesquinha e cobiçar o alheio... Pode sentir-se perdida, feliz, triste, irada...

Pode, quem sabe, amá-lo, mesmo que seja só por um instante... Pode esquecer as leis e se preparar para o "Grande Truque"!!! O do desaparecimento de uma menina triste, para uma quase mulher assim... como qualquer outra, sorrindo porque convém...

No entanto, há tempos ela anda cansada... cansada...

E daí a questão: Procurar a morte é sim um ato de covardia por não se ter coragem de enfrentar a vida?

E daí se vivendo... não há coragem para se viver a vida que se quer viver... pensando assim... melhor seria morrer...

A atriz está cansada de ter de se maquiar todos os dias... Quer ser bailarina e dançar aos sons dos bandolins e se estes não tocarem? Que seja aos sons da gaita e dos violões...

Mas voltar a representar... Jamais!!

Sai de lá, e a porta escura de vidro se fecha às suas costas, triste, com os olhos "embotados de poeira e lágrima"... e ao sentir o vento em sua cara inchada... se encoraja de tal forma que até mesmo sua saia põe-se a empolgar, deixando que o vento a leve, como ele queira que ela dance...


E a cada passo dado, um olhar passado com a saia
esvoaçante... Faz com que ela a pegue com as mãos, quase que sem jeito...

E quanto a tempestade que vem, quase da cor dos olhos da moça... ela anda mais rápido, pois é preciso voltar a vida real e fugir da chuva!

E quanto a saia? Que ela sossegue, não será possível o banho de chuva!

Quem sabe... uma pipoca na praça... metade doce... metade salgada e ver os meninos brincarem à beira do rio??

Não! Não será possível! A chuva está vindo!!


E quase em frente a igreja começa a chuviscar... a tempestade cada vez mais próxima... é preciso se apressar, pois a chuva vai chegar!

Ah! Que ela venha e me molhe inteira... que afogue todas as suas mágoas e lave sua cara pintada e se sinta como eu... Mas não... é preciso correr!

Quase subindo a rua de seu destino final... ela ainda olha para lá... lugar tão amado... onde o o sol se põe... e chega até ouvir os acordes e lembra da chuva... Um Relâmpago!!! Poderia tê-la acertado...

Até que seria bom! Morreria... acabaria com essa vida insossa e não seria chamada de covarde... e sim... Mátir!!!

Mátir!! Morreu porque amava o vento!!

Sim... a saia...

E quem disse para não olhar para trás... quem sabe ele esteja passando por ali e possa lhe dar um apreço... preencher o dia com aquele sorriso maroto..

E assim... ela sobe a rua, encontra crianças na escola... rompe o portão... diante da entrada daquela humilde casa... aquele quintal onde brincara a vida inteira...



*É, minha gente voltei! Vim contar essa história da saia que queria tomar banho de chuva! O tempo foi gentil ontem a noite! Quanto ao enterro daquilo que nunca foi um dia, este foi esquecido, pelo tempo, há certas coisas que pedem para serem esquecidas, pois há outras em nossa vida pedindo atenção... Ainda estou encantada com aquela invenção... não apaixonada... mas literalmente encantada... até uma carta ele ganhou... que aqui postarei em breve.. Abraços saudosos... até o próximo...

sábado, 13 de setembro de 2008

Esse pileque homérico no mundo...


"De que adianta
Ter boa vontade
Mesmo calado o peito
Resta a cuca
Dos bêbados
Do centro da cidade..."

E não é que a minha inspiração voltou... mas ainda estou terminando de escrever o que eu iria postar hoje... tive vontade de falar sobre uma outra coisa aqui... E sendo assim, mais uma vez de volta no tempo...

Eu deveria ter de 10 a 12 anos, não me recordo bem, e sempre gostei de brincar na rua, apesar da minha avó nunca deixar eu sair de casa, eu mentia que a minha mãe deixava eu sair e ia pra rua brincar com meus amigos daquela época.

Eu morava na casa da minha avó, que fica ao lado de um colégio, e o portão deste ficava, as vezes no fim de semana aberto, e quando não ficava, nós pulávamos o portão, para brincar no parquinho que tem até hoje lá.

O colégio era dirigido por um grupo de freis, então, sempre iam pessoas pedir comida, ou roupa por lá. Pessoas bem humildes. E num desses dias que o portão estava aberto, eu, a minha amiga de infância e o irmãozinho dela, entramos para brincar. E ao entrar, vimos que tinha um senhor, mal vestido, e que parecia que estava bêbado, sentado em um dos bancos perto do parquinho.

Eu fiquei com medo de ficar no parquinho, sei lá porque, talvez seja, pelos tantos avisos: "cuidado com estranhos", ou "cuidado com o homem do saco que leva criancinhas"! Enfim, acho que foram tantos avisos, que até hoje ainda tento me livrar de alguns.

E então, ficamos jogando bola, bem longe do "senhor maltrapilho". E eis, que eu estava de costas para ele, e no que eu não consegui segurar a bola, ou rebatê-la, ela foi parar perto daquele senhor. Eu fiquei assustada, para não dizer que o preconceito tinha me tomado conta. (Acho que eu deixei de ser criança muito cedo, pois aos 7 eu já não acreditava em papai noel, futuramente conto esse trauma, rs...) Não tinha nada que me fizesse ir buscar aquela bola, e aí a minha amiga foi buscar. Mas o pior de tudo, foi que o senhor percebeu, que eu havia ficado com medo.

E então disse: "Olha menina, eu não sou animal! Sou gente também! Não precisa agir dessa maneira com as pessoas! Sou gente também"

Apesar, de eu não me lembrar ao certo quantos anos exatos eu tinha, mas aquilo me doeu profundamente, e acho (acho não... tenho certeza), que até hoje reprovo tal atitude, as vezes penso que era melhor eu pensar que eu era criança mesmo e não entendia que o mundo não é perfeito, e que existem pessoas no mundo que não tem oportunidades ou até mesmo não sabem lidar com as mesmas, ou quando sofrem alguma decepção, não são fracas por não saberem dar a volta por cima.

Depois de anos, fui entender, ou pelo menos tentar entender, o porquê daquele senhor estar daquela forma. E assim, como tantos outro bêbados que passaram pela minha vida, que encontrei nas praças... e até mesmo bem perto...

Bem, aos 15 anos tinha uma mania... eu adorava ir escrever... mas em um lugar que considerava especial ( ainda considero), mas é que ando tão sem tempo de ir lá... e olhar as crianças brincarem... eu ia na "Duque", uma praça aqui, nessa minha "imensa" cidade, lá tem bancos extensos, feitos de concreto... E numa dessas vezes, eu acordei bem cedo e fui a "Duque"... e eis que no mesmo banco que eu, senta um senhor, que não tem onde morar, e carrega sua casa nas costas...

Eu estava escrevendo uma carta, uma das que não costumo mandar, e passou uma senhora idosa, me deu bom dia, sorriu, e fiquei a observando enquanto passava. Ela passou pelo andarilho e desviou o seu percurso, como se ele tivesse lhe feito algum mal. Sendo que não lhe fez mal algum. E na hora me lembrei daquele dia no parquinho. Duas pessoas diferentes, dois momentos diferentes, lugares diferentes... mas só aí eu fui realmente entender... eles têm sentimento também. Talvez, fique um pouco difícil compreensão, mas o que posso dizer é que tive experiências péssimas com bebida na família... mas só a partir desse dia é que fui entender... que o "monstro", não o era! E se era... havia um motivo! Havia uma fraqueza, algo que o consumia... e ele, não por ser fraco, mas por optar descarregava tudo daquela forma... foi aí que vi o quanto eu amava e entendia meu pai....

E assim, escrevi:

O bêbado

Somos todos bêbados,
sem rumo, sem vida...
nessa doentia viagem...
onde só há ida!
Felicidade é somente miragem,
nesta mórbida loucura,
que se chama vida!
Somos todos loucos
normais são os poucos.
Normais que só amam a vida,
mas que não se amam...
e se dizem eternos amantes...
de um amor inexistente!
Mesmo que não bebamos hoje...
somos bêbados de tanta infelicidade,
por tudo sentir saudade...
até de nossa vida passada!
Sei que devo ficar calada, mas não!
Foi sim! Naquela vida!
Em que tínhamos esperanças...
éramos apenas crianças,
hoje adultos bêbados sem lar!
(Duque, 16.06.01)

Bem, a ultima experiência que tive, com algum bêbado, foi ano passado, em uma cidade histórica, próxima aqui, em que estávamos em um grupo de amigos e vários senhores andarilhos sentados conosco, declamando poesias e falando sobre o "carpe diem", na praça. E foi nesta madrugada, que acredito que lavei a minha alma, quase apanhei de uns rapazes que estava lá perto, jogando guardanapos de papel em fogo em um senhor bêbado que estava sentado em um dos bancos. Quando vi aquilo, fui lá e comecei a brigar com os caras que estava fazendo tamanho absurdo! Minhas palavras: "Parem! Pois ele também é gente!

Bem, um momento de desconcentração. Estou me sentindo muito lisonjeada hoje! A Lekkerdingme deu um selinho! Eis o presente e as instruções:




Regras a cumprir:
1. Aceitar exibir a distinta imagem e cumprir as regras.
2. Linkar o blog do qual recebeu o prêmio.
3. Escolher quinze (15) blogs para entregar o Prêmio Dardos.


Bem, dois dos blogs que indicaria já indicaram e como a intenção é compartilhar e não acumular, indico:


Latrino Americano, Descascando a vida e sujando a avenida, Noite Lisérgica, Além das Palavras, Janela e Vitrine, Uma Rosa e seus poemas,

As Flores do meu caminho, e para a Strª Dorothy, a qual não posso publicar o endereço... rs..