Faz Escuro mas Eu canto, 15 de julho de 2009.
"Caro Rodrigo,
Há quanto tempo não nos vemos... enorme saudade! Lembra daquela sua amiga nordestina, aquela que o rosto é o mesmo de milhares de moças por esse nosso país tão vasto... a vi num dia desses chuvosos... é foi o meu encontro com ela que me motivou a escrita desta carta...
Outro dia eu estava a andar pela rua, como sempre faço, pensando na vida... quando me deparei com um aglomerado de pessoas... e confesso que a curiosidade é um ato falho de minha parte, mas acredito que naquele dia fora algo útil...
Acredite que presenciei momentos depois de um atropelamento, e quem estava a agonizar era ninguém mais que essa sua amiga! Presenciei a encenação daquela pobre que tanto queria ser artista de cinema...
Perguntei o que havia acontecido a uma pessoa que havia presenciado o acidente, mas que parada observava a pobrezinha, sem ajudar, sem nada a fazer... Ela me relatou que a moça estava olhando para o céu, como que agradecento a algo, não prestou atenção ao atravessar a rua e fora atropelada por um luxuoso Mercedes amarelo...
Vi a pobrezinha feinha caída no chão, realmente "como uma galinha de pescoço mal cortado" e lutando muda em favor de uma vida que muitos julgaram demasiadamente sórdida, a qual a morte seria um bom fim... a quem não vive... quiçá sobrevive.
E quando os pingos de chuva se tornaram mais fortes... e o som do violino se fez presente... lembrei me da condição burguesa e o luxo de saber de uma história tão sofrida dessa nossa amiga, e de que nada tenho a reclamar da minha vida... E percebi que um dia alguém poderia vir a me julgar "um vago sentimento nos paralelepípedos sujos"... Doeu-me ver sua amiga em posição fetal, se abraçando, como quem pedia carinho... Não resisti, gritei: - PAREM!!!
Abri o caminho no meio do algomerado e a abracei... e como a abracei forte! "- Esta mulher precisa de ajuda, de uma ambulância! De um sopro de vida! De um sonho!" E logo alguém conseguiu socorro, e houve uma agitação e de repente uma multidão de pessoas estavam ajudando em algo...
Eu estava sentada no chão com ela em meus braços e me derramando em lágrimas e pedia forte: "- Salvem esta mulher!!" Ela me sussurrou: "Quanto ao futuro?" Com sorte chegou viva no hospital! E quer você acredite ou não... ela se salvou... Ou será que eu me salvei? Não sei bem ao certo... Sei que deste episódio... nasci para vida!
E acredito que ela também, pois fui visitá-la no hospital, e levei-lhe morangos om açúcar para lhe adoçar um pouco a vida, e ela humildemente me pediu que lhe levasse um pedaço de goiabada com queijo que isso sim a faria muito feliz... e é claro que atendi a seu pedido.
A última vez que a vi, me contou que estava mudando de cidade para tentar uma vida nova, e não me lembro bem, mas parece que esperar por aquilo o que profetizou uma certa cartoman
te... Eu me despedi dela com aquela sensação de que a morte não é de todo mal... em certas fases da vida é necessário deixar-se morrer quando não há mais caminho por onde correr... mas sempre renascer das cinzas... porquanto depois da morte possa ser tempo de morangos... ou seja a vida segue... e serão muitos as horas em que as estrelas terão seu momento mágico... faz parte do simulacro da vida... e para quem gosta de goiabada com queijo como a nossa amiga... seja doce ou salgada... que seja a vida! E aqui me despeço... Um abraço para ti e para Clarice...
Com carinho...
Morenay Flor"
Há quanto tempo não nos vemos... enorme saudade! Lembra daquela sua amiga nordestina, aquela que o rosto é o mesmo de milhares de moças por esse nosso país tão vasto... a vi num dia desses chuvosos... é foi o meu encontro com ela que me motivou a escrita desta carta...
Outro dia eu estava a andar pela rua, como sempre faço, pensando na vida... quando me deparei com um aglomerado de pessoas... e confesso que a curiosidade é um ato falho de minha parte, mas acredito que naquele dia fora algo útil...
Acredite que presenciei momentos depois de um atropelamento, e quem estava a agonizar era ninguém mais que essa sua amiga! Presenciei a encenação daquela pobre que tanto queria ser artista de cinema...
Perguntei o que havia acontecido a uma pessoa que havia presenciado o acidente, mas que parada observava a pobrezinha, sem ajudar, sem nada a fazer... Ela me relatou que a moça estava olhando para o céu, como que agradecento a algo, não prestou atenção ao atravessar a rua e fora atropelada por um luxuoso Mercedes amarelo...
Vi a pobrezinha feinha caída no chão, realmente "como uma galinha de pescoço mal cortado" e lutando muda em favor de uma vida que muitos julgaram demasiadamente sórdida, a qual a morte seria um bom fim... a quem não vive... quiçá sobrevive.
E quando os pingos de chuva se tornaram mais fortes... e o som do violino se fez presente... lembrei me da condição burguesa e o luxo de saber de uma história tão sofrida dessa nossa amiga, e de que nada tenho a reclamar da minha vida... E percebi que um dia alguém poderia vir a me julgar "um vago sentimento nos paralelepípedos sujos"... Doeu-me ver sua amiga em posição fetal, se abraçando, como quem pedia carinho... Não resisti, gritei: - PAREM!!!
Abri o caminho no meio do algomerado e a abracei... e como a abracei forte! "- Esta mulher precisa de ajuda, de uma ambulância! De um sopro de vida! De um sonho!" E logo alguém conseguiu socorro, e houve uma agitação e de repente uma multidão de pessoas estavam ajudando em algo...
Eu estava sentada no chão com ela em meus braços e me derramando em lágrimas e pedia forte: "- Salvem esta mulher!!" Ela me sussurrou: "Quanto ao futuro?" Com sorte chegou viva no hospital! E quer você acredite ou não... ela se salvou... Ou será que eu me salvei? Não sei bem ao certo... Sei que deste episódio... nasci para vida!
E acredito que ela também, pois fui visitá-la no hospital, e levei-lhe morangos om açúcar para lhe adoçar um pouco a vida, e ela humildemente me pediu que lhe levasse um pedaço de goiabada com queijo que isso sim a faria muito feliz... e é claro que atendi a seu pedido.
A última vez que a vi, me contou que estava mudando de cidade para tentar uma vida nova, e não me lembro bem, mas parece que esperar por aquilo o que profetizou uma certa cartoman
te... Eu me despedi dela com aquela sensação de que a morte não é de todo mal... em certas fases da vida é necessário deixar-se morrer quando não há mais caminho por onde correr... mas sempre renascer das cinzas... porquanto depois da morte possa ser tempo de morangos... ou seja a vida segue... e serão muitos as horas em que as estrelas terão seu momento mágico... faz parte do simulacro da vida... e para quem gosta de goiabada com queijo como a nossa amiga... seja doce ou salgada... que seja a vida! E aqui me despeço... Um abraço para ti e para Clarice...Com carinho...
Morenay Flor"






